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Redes para pescar

Definitivamente, este não é um post anti-(rede)social. Muito pelo contrário – então calma, não desista de lê-lo assim tão cedo. Mas, se você tiver mais ou menos minha idade, é muito provável que já tenha sobrevivido a inúmeras broncas maternas do tipo: “Fulano(a) não sai desse celular!” ou “Você já está viciado nisso, garoto(a)!”.

De alguma forma, sua mãe está certa. Ela e as mães de mais de 3,2 bilhões de pessoas conectadas à internet, hoje, no mundo. Perdoem-me os não-brasileiros mas nós somos recordistas no assunto: média de 9,7 horas gastas em redes sociais por dia, o que significa 60% a mais do restante da média mensal do planeta. Embora assustador, interpretar esses dados como “vício” é um diagnóstico precipitado. Na verdade, já diria Marshall McLuhan, o homem encontrou nos meios de comunicação uma extensão do seu próprio corpo. São potencializadores artificiais de habilidades próprias.

Ou seja, talvez não estejamos nos aprisionando a um mundo falso. Nossa realidade apenas conquistou um novo ambiente.

Entretanto, sendo cristão, você sabe que seu bom e velho tempo com Deus ganha, com isso, uma concorrência de peso. Com tantas horas gastas deslizando o polegar sobre uma tela, sobra pouco espaço diário para recarregar as baterias espirituais. Além disso, nosso mundo novo do entretenimento touchscreen pouco tem a oferecer quando o assunto é Evangelho, ainda. E eu falo do verdadeiro Evangelho. Não estamos considerando coisas do tipo “deixe seu amém” aqui. Na mídia tradicional, a proporção é negativamente oposta: dezenas e dezenas de falsos cristianismos sendo propagados e apresentados à sociedade como referência de fé cristã.

A boa notícia é que nada está perdido. Na verdade, a oportunidade da nossa geração começa aqui. “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura”, disse Jesus. Pois bem, parece que nossa seara ganhou novos hectares e isso requer o engajamento de mais trabalhadores. As redes sociais são um campo missionário vasto e, a nível de know-how, estamos todos aprendendo a traduzir nossa fé às novas linguagens de forma relevante. O importante e o inadiável é o primeiro passo do Ide. Há muito do cristianismo puro e simples a ser dito. Uma velha frase costumava enfatizar que, para muitas pessoas, nós somos a única Bíblia que elas podem ler. E, muito provavelmente, nossos murais e perfis na web também são.

A experiência que vivi no Indigitous São Paulo foi fundamental para que eu pudesse enxergar isso. Ver pessoas ao redor do mundo agindo e buscando quem esteja disposto a agir foi, sem dúvidas, um novo ponto de partida na minha vida. E eu não posso ficar para trás. “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” era o lema do cineasta Glauber Rocha. Para nós, o processo é ainda mais simples, afinal, o conteúdo já foi inspirado por Ele. Vídeos curtos, vlogs, web séries, podcasts, blogs, fanpages, games, apps, memes… Infinitos formatos possíveis, basta escolher. Nosso chamado é sermos pescadores de homens. E as redes para isso nós já temos.



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